domingo, 16 de outubro de 2011

Lady Jane - ultima parte


Lady Jane - Crônica poética de uma sexta-feira à noite
                                     Ultima parte

FIM DO INTERVALO CINCUNSPECTO BASBAQUE
***
Pêra aí - Alá exagerou: Arcanjo Gabriel – amigo velho,
É gozação celestial?
Desculpe minha neguinha, preciso bater um papo,
Através desta janela com os meus Gurus lá de cima – fique assim;
Fremente, quietinha, a Lua toda refletida
Na rima perfeita de sua bundinha. (Slurp, slurp, slurp).
Snak, snak, snif, plaf, plaf, plaf, lap, lap, lap...

“ANJOS, ARCANJOS, ELFOS E SERAFINS: FALANGES DO AMOR E DA FECUNDAÇÃO ALADA, PATOTA ETÉREA, NINFAS, NEREIDAS, ARIADNES, SALAMANDRAS, MEU POVO MÁGICO: EU VOS SAÚDO MEUS ORIXÁS, MEU EU DUPLO, ANJO DA QUARDA, ACORREI A ESTA JANELA. ACUDAM MEUS GÊNIOS TUTELARES, SARAVÁ, XANGÔ MEU PAI: KAÔ KABECILÊ.”
Tá legal, meus amores de outras dimensões, meus Mestres, meus irmãos: que se faça feitiço poderoso pra ela não fluir de meus dedos, fazendo sombra no meu espírito.

Invoco vossas proteções, meus deuses: estou pedindo um quase nada,
Apenas o equilíbrio perfeito,
Entre o corpo e o espírito, o psíquico e o soma, soma de todo o meu eu, fusão com este que paira na noite.
Na curva do tempo, tempo de invocação mágica dentro da minha noite.
Meus bons espíritos – visões ocultas
É verdade, é verdade...
Já rodei de desamor num redemoinho de banzo,
Que nem uma pomba-gira, dancei mais feio do que Exu galináceo :
Nas quebradas da vida, na praia de Itamaracá – quanto tempo?
Minha amante brilhava, mas não rebrilhava...
Chorei a beleza do instante perdido, imerso no mar: lágrimas de plâncton prateado... Sempre me tocando de leve

As coisas fugindo de meus dedos, terror do meu sentir, e o Sol que dourava
Minha mente foi se apagando
Na solidão cósmica.
Pela distância do gozo que se resvalava... E se repetiu, e se repetiu, e se repetiu... Um desamor é um desamor. É um desamor de luz opaca.
Nas ondas, como nas ondas da praia
E as nereidas levando para cima a minha vida
A sombra azul da música celeste de Johann Sebastian Bach (tocata e fuga na “dor” maior), Ariadne montada na flauta mágica de Amadeus Wolfgang Mozart...
Iemanjá cavalgou na praia de Rio Doce – apenas um espírito que me tocou
E fugiu para sua dimensão mágica.
Ouçam meus lamentos, caros Mestres. . .
Porque já morri tantas vezes... Me destruí em tantas dimensões,
Meu Sol se apagando – lado escuro de minha Lua
Assumindo o universo de minha pele, do meu sexo, do meu astral feito
Cinza, negro e solidão...
(será que não comovo com tão longa oração, de metáforas, hipérboles alienação – esta imensa corte dos espíritos, meu irmão?).
Esse lamento cansado, longo, brochado, mascara uma intenção?
***
Ai que padeço de rima. . .
E é neste momento solene – em plena ereção – esta testemunha lunar, a mais linda bunda beijada, amada, dedilhada, vista, amada


 – vos digo:
Estais perdoados, irmãos astrais, Mestres. Também perdoai a minha modesta exasperação, foi à distância do arco-íris (sou apenas um Guru).
Percebi que, submetido a uma “provação” justa e digna
Que meu prêmio maior foi dado.

Longo foi meu discurso, longa minha espera, infinita é agora minha ventura e gôzo. Transando tão belo rabo que me aguarda na plenitude de uma boceta que me afoga, no litoral de uma fêmea que não sabe das distâncias ............................................................
Aleluia, aleluia... Lady Jane - riu, sorriu, gargalhou, trinou, falou: ...
Aplausos se fizeram ouvir nos horizontes da Noite
Lua mais clara, porta bateu com violência, soou um atabaque distante
Um búzio sonoro percorreu o leito do Capibaribe, guardando o som dentro de uma nuvem distante com jeito de tridente. . .

Meu sabiá cantou saudoso, gongá, solene brisa arrepiante, quase palpável – assanhou os meus cabelos.
Presságio, sinal, aprovação...
Meu cerimonial cabalístico acabou - agradeci as Entidades e, pulei pra realidade - sem medo, sem solidão.

Mestre Kadosch
                Ilha de Itamaracá (PE) - 1979 a 1984

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